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Ela fez da FLC uma grande empresa e o "Amigos do Bem" fez dela um grande ser humano

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Este não é apenas um case de sucesso de empreendedorismo. É também uma história de sucesso do “bem”, da caridade, do amor e de vida. Alcione Albanesi fundou a FLC em 1992 e, um ano depois, iniciou o projeto “Amigos do Bem”. Para quem não conhece a FLC é uma grande empresa de lâmpadas, com fábrica no bairro do Limão em São Paulo e o projeto “Amigos do Bem”, uma instituição não-governamental sem fins lucrativos que tem como objetivo contribuir para a erradicação da fome e da miséria no Sertão Nordestino, por meio de ações educacionais e projetos autossustentáveis. O crescimento de ambos foi simultâneo.

Talvez esteja aqui a maior das lições que podemos ter: fazer o bem para receber o bem! Plantar para colher! No caso da Alcione, ela não foi apenas criadora do projeto. É algo muito mais completo. Ela se envolve e envolve a família, põe a mão na massa, ensina aqueles que estão ao seu redor, aprende ainda mais, ela ri junto com as famílias e chora a triste realidade das diferenças sociais e das difíceis situações que os nordestinos passam em busca da sobrevivência. Em 2014, Alcione vendeu a maior parte da FLC para poder se dedicar ainda mais ao projeto.

Empreender é uma árdua tarefa. E quando pensamos em conciliar atividades com todo o trabalho que temos no dia a dia parece algo impossível. Mas quando há vontade de verdade e fé, tudo é possível. Leia o rápido bate-papo que Ueepa! traz para vocês!

1. Qual é a relação do seu sucesso como empreendedora com o “Amigos do Bem”?

Em 1992 fundei a FLC e apenas um anos depois iniciei o projeto Amigos do Bem. Os dois trabalhos cresceram simultaneamente, fazendo com que eu me desenvolvesse em diversas áreas. O trabalho no sertão me tornou uma pessoa melhor e acredito que uma pessoa melhor é capaz de fazer muitas outras coisas de forma melhor.

2. Desde o início de sua história como empreendedora você já tinha em mente iniciar um projeto social?

Eu sempre falo que o Bem se ensina e aprendi isso com minha mãe, Guiomar de Oliveira Albanesi, que tem 11 creches na periferia de SP e cuida de quase 2.000 crianças. Desde pequena eu já cuidava das crianças da creche. Ou seja, eu aprendi a enxergar as pessoas de uma forma diferente e, de repente, coisas boas aconteceram, o projeto surgiu e se desenvolveu.

3. Conciliar atividades paralelas com a vida pessoal e profissional não é uma tarefa muito fácil. Inclusive, algumas pessoas dizem que gostariam de se dedicar a algum projeto mas não têm tempo. Como você conseguiu conciliar sua vida profissional, pessoal com o “amigos do Bem”?

Quando decidi iniciar um trabalho de transformação de vidas sabia que não poderia mais parar, foi um “contrato” que assinei com Deus e com as 11.000 famílias que dependem de nós. Conversei com meus 4 filhos e todos me acompanham neste trabalho. Durante anos, conciliei meu trabalho social com o profissional, mas em 2014 vendi a maior parte da empresa para me dedicar ainda mais aos Amigos do Bem.

4. Você participa ativamente do projeto ainda hoje? Viaja com a turma? Está em contato com esses povoados?

Há anos, passo mais de dez dias, todos os meses, no sertão nordestino, para acompanhar de perto todos os projetos e famílias atendidas. Você pode terceirizar a construção e casas e abertura de estradas, mas você não transforma vidas se não houver o ingrediente do amor. O que modifica a vida das pessoas não são apenas os recursos materiais, mas principalmente os recursos humanos, capazes de tocar os corações.

5. O projeto “amigos do Bem” foi uma forma de devolver ao universo coisas boas que aconteceram em sua vida?

Acredito que nós precisamos deixar uma contribuição para o nosso país.

6. Você acha que a religião também teve participação no seu sucesso?

Acredito que a religião não pode ser limite para o Bem. Por isso, temos voluntários de diferentes crenças e atendemos povoados católicos e evangélicos no sertão nordestino, onde a fé representa força e esperança para eles seguirem em frente. Nós respeitamos isso e quando nos perguntam qual a nossa igreja, falamos: “ somos da religião do amor”.

7. Você acha que você já realizou todos os seus sonhos? Se não, quais ainda espera realizar?

O meu sonho é ver a fome e a miséria como um fato histórico do nosso país, essa é a missão dos Amigos do Bem. Ainda não podemos falar em sustentabilidade com tanta desigualdade que vemos no Brasil. Muito já foi feito, mas estamos ainda no início de uma longa jornada.

8. Como você enxerga as dificuldades que apareceram em seu caminho? E como conseguiu superá-las?

Todas as dificuldades contribuíram para fortalecer a minha certeza de que no final “dá tudo certo”. Essa é a minha frase e eu confia nela. Todos já passamos por situações muito difíceis, mas elas passam e nós ficamos mais resistentes.

9. Acha que o fato de você ser mulher dificultou ou facilitou sua vida como empreendedora? Ou foi indiferente?

Acredito que o fato de eu ser mulher sempre contribuiu para a minha vida como empreendedora. Destaquei-me por ser a única mulher no ramo de materiais elétricos, com uma empresa à frente das grandes multinacionais. A mulher possui dons favorecem seu desempenho nas corporações. Temos uma sensibilidade que nos diferencia, uma capacidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, uma visão ampla do mundo.

10. Você acredita em “sorte”?

Eu acredito que, se sempre formos em frente, nos surpreenderemos com os resultados de nossas buscas.

11. Quais conselhos você daria para alguém que está iniciando como empreendedor?

Eu diria para não desistir, sempre persistir. A vida é marcada por conquistas e superações. Acredito em pessoas que de forma simples façam coisas extraordinárias. Devemos fazer o que pode ser feito hoje.

Site: http://www.amigosdobem.org/

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