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Mulheres Investidoras

MIA fomenta o sucesso feminino no mundo dos negócios Voltar ao Início

Camila Farani, co-fundadora do Mulheres Anjo e CEO do Grupo Boxx, compartilhou com Ueepa! um pouco de sua trajetória e informações sobre o MIA. Acompanhe a entrevista abaixo:

1. Qual foi a primeira vez que você teve contato com o mundo dos empreendedores?

Meu primeiro contato com o mundo do empreendedorismo veio através de um momento decisivo em minha vida. Eu e minha família estávamos passando por um período complicado financeiramente e me senti na obrigação de chamar a responsabilidade para mim. Precisava trazer mais conforto emocional a minha mãe. Na ocasião, tinha 18 anos e acabado de ingressar na faculdade. Reuni duas amigas que trabalhavam em eventos e realizei junto com elas, por 30 dias, uma ação que visava aumentar o faturamento da loja de minha mãe, na qual eu era funcionária. Não tínhamos dinheiro e confesso que mal sabíamos o que estávamos fazendo, mas éramos felizes, como todo bom jovem. Conseguimos um pequeno êxito no faturamento da loja, mas naquele momento, mesmo sendo pequeno, representou um grande ganho emocional para minha família.

Eu estava realizada e me sentindo extremamente útil. Comecei a entender que os sonhos só poderiam ser motivados com pessoas que tinham dentro de si um compromisso enorme em fazer acontecer. Mesmo sendo algo pequeno, e com a devida ressalva a minha maturidade na época, passei a me sentir inquieta com a vida e me questionei: se eu consegui fazer algo tão valioso a minha família, por quê outras pessoas não poderiam? Foi aí que tudo começou...

2. Você é hoje uma pessoa super bem conceituada neste universo. Há algum projeto que você ainda queira realizar que tenha relação com empreendedorismo?

Creio que o primeiro passo do ser humano é reconhecer o desconhecimento sobre a vida. Isso te dá humildade e a humildade lhe dá sabedoria. Uma das coisas mais inteligentes que um homem e uma mulher podem saber é saber que não sabem. Nesse sentido, meu maior projeto de vida é poder transformar o ser humano em autor de sua própria vida, o que eu chamo de empreendedorismo. Não faço distinção em focar em gêneros, mas como sou mulher e entendo algumas dificuldades que tive e tenho até hoje me sinto na obrigação de mudar a perspectiva de como elas próprias se vêem.

3. Como surgiu o MIA?

O MIA surgiu a partir dessa essência que relatei acima - é importante entender o conceito e o que está por trás. Ele surgiu de uma paixão,de uma dor, que é a falta de mulheres no ecossistema empreendedor. Era um sentimento em comum da Maria Rita Spina e Ana Fontes. Duas mulheres que eu tenho profunda admiração e são as responsáveis, junto comigo, dele ter nascido. Dedicamos nosso tempo escasso e trabalhamos sem verba em prol de termos mais investidoras-anjo, pois através disso entendemos que iremos empoderar a empreendedora, mas nosso objetivo mesmo é que todas sejam felizes e nós também. Procuramos olhar sempre pela perspectiva do bem comum.

4. Qual é seu papel dentro do MIA?

Como toda startup não tenho um papel específico. Não temos verba, por isso grande parte das vezes usamos nossos recursos próprios para fazer acontecer. É uma iniciativa recente em que cada uma faz de tudo um pouco. Como temos perfis complementares, o resultado é sempre muito bacana. Existe algo maior nisso tudo que é o respeito que, para mim, é uma das bases de tudo. Quando se instaura uma cultura de respeito e admiração mútua o trabalho passa a ser prazeroso.

5. Dentro do MIA há as empresas que tentam receber a “ajuda” do MIA e aquelas que querem ajudar, certo? Como fazer para participar ser um investidor e para receber o investimento?

O MIA, por ser um movimento de fomento ao investimento anjo feminino, tem por premissa aumentar o número investidoras anjo em nosso país. Nosso aporte financeiro e intelectual é somente em projetos que tenha uma mulher com cargo de liderança dentro da startup. No nosso site mulheres investidoras.net as mulheres podem se cadastrar e receber as novidades dos acontecimentos do MIA. Quando a empreendedora ou investidora se cadastra ela passa a ter acesso aos eventos de apresentação de pitches que realizamos. Nossa idéia para 2015 é capacitar cada vez mais mulheres que desejam investir a entenderem a dinâmica de investimento anjo e assim fazer a roda girar.

6. Vocês têm um ranking de sucesso? Quantas empresas, entre aquelas que vocês investiram, conseguiram obter sucesso?

O MIA é um movimento recente e nessa ordem, estamos trabalhando fortemente para realizar nosso primeiro investimento. Um de nossos principais valores e ser ética dentro da cultura de shared value. Nosso grande desafio está sendo unir os objetivos das duas pontas: investidoras e empreendedoras.

7. Como é feita a análise para saber se as empresas valem um investimento? Existe um conselho que seleciona as empresas para investimento?

Existem pré-requisitos como falei anteriormente, como ser fundada ou co-fundada por mulheres. Projetos voltados ao público feminino também são bem vindos, mas não obrigatório. Estamos em busca de projetos encantadores, que tenham potencial de impactar pessoas e com empreendedoras que amam o que fazem. Possuimos um comitê interno que avalia as melhores oportunidades dentro dessa ótica.

8. Existe algum nicho que vocês não se arriscam?

Acho que não descartaríamos nenhum projeto antes de analisar. Importante que fazemos investimento anjo, que via de regra, é feito em modelos escaláveis e replicáveis dentro do universo de tecnologia. Isso não significa que a startup tem de ser 100% de tecnologia, mas deve conter dentro de seu modelo algo ligado.

9. Qual é o setor campeão em investimento – se é que existe algo do tipo.

Sem dúvida alguma o setor de tecnologia com suas múltiplas verticais. Lembrando que tecnologia é “qualquer forma nova e melhor de criar as coisas”, segundo Peter Thiel, investidor anjo e co-fundador do PayPal.

10. Algo a acrescentar?

O Investimento Anjo é um mundo encantador e apaixonante. Mas exige muito estudo, empenho, disponibilidade, conhecimento, know-how. Não é fácil, mas não é impossível. A característica principal, que é o que difere de um investimento normal, é que além do capital financeiro investido há o aporte do capital intelectual da rede de contatos e de toda a experiência do investidor. E para empreender, é necessário muito braço, muita vontade, coragem e lembrar que no fim, todos buscam a felicidade. Essa só vem com a auto-realização e cada vez mais geração de significado para o próximo.

Camila Farani - Além de ser Co-fundadora do MIA - Mulheres Investidoras Anjo, Camila Farani é Membro do Mulheres do Brasil, liderado por Luisa Helena Trajano, grupo fechado de mulheres com relevância no Brasil. É Vice Presidente do Gávea Angels, primeiro grupo de investimento-anjo do Brasil, Co-fundadora da Lab22, gestora de startups do Rio de Janeiro. Consultora da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Membro do Conselho de Jovens Empresários FIRJAN e FIESP, Vice-Presidente do Conselho de Pequenas e Médias Empresas da ACRJ . Fundadora e CEO do Sementi Fresh Food, focado em alimentação saudável. Professora da Pós Graduação de Management, da FGV/RJ. Vencedora do Prêmio Barão de Mauá e finalista do Prêmio Claudia, Categoria Negócios e palestrante nacional e internacional.
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